CISB traz expert em logística verde a São Paulo

Durante o diálogo, Galar vai apresentar o atual estado da arte das tecnologias e metodologias de manutenção, incluindo uma revisão das mais novas ferramentas de engenharia de manutenção e gerenciamento utilizadas mundialmente. A palestra será ilustrada com alguns cases de sucesso na Europa e em outros países.

“Uma boa gestão de ativos garante vida mais longa dos equipamentos, longevidade de ativos e segurança – que são críticos para a excelência operacional –, além de prover o desempenho necessário ao menor custo. No entanto, um bom gerenciamento de ativos requer ferramentas e tecnologias modernas, além de sistemas de gestão com funcionalidades e recursos apropriados”, explica Galar, que se dedica a estudar um dos tópicos mais importantes hoje na área de engenharia logística e manutenção: a chamada ‘logística verde’.

“É uma abordagem muito próxima à da logística reversa, mas não propriamente a mesma, já que a logística reversa não foi adotada pelas grandes companhias. Nesse ‘cenário’ todo mundo deve ganhar. Se negligenciarmos o lado dos negócios, nunca teremos iniciativas bem sucedidas. Por isso, a sustentabilidade deve ser uma troca”, afirma.

Ele esclarece que o approach da logística verde está conectado ao conceito de servitização (a inovação de recursos e processos da organização para criar valor mútuo por meio de uma mudança de oferta: em vez de vender o produto, vendem-se sistemas produto-serviço). “Na Europa, as pessoas querem ser mais ‘verdes’, então as companhias estão atentas a essa demanda. Elas preferem, por exemplo, pagar por atualizações e upgrades durante a vida útil de um produto a fazer uma substituição logo de cara. Este novo mercado é onde está o lucro”, avalia.

De acordo com Galar, é preciso planejar produtos flexíveis que permitam manutenção, o que se pode conseguir desenhando produtos modulares, por exemplo. Também é preciso assegurar o melhor nível possível de performance, e monitorar as mudanças nos padrões para adiar a obsolescência.

“Parte da indústria de eletrônicos vem dando prioridade, por exemplo, para upgrades regulares de softwares, em vez de trocar o hardware, que foi sempre o que se fez. Em computadores industriais, um simples cartão de memória e um upgrade de software podem evitar uma substituição precoce. É claro que, no geral, esses produtos são geralmente mais caros do que aqueles facilmente descartáveis”.

Para Galar, que realiza pesquisas na área de gestão de cadeias fechadas de abastecimento, o enfoque  da logística verde pressupõe que a aquisição de bens está relacionada com a disposição final e com a adoção de operações e práticas de manutenção sustentáveis durante a fase de exploração para confecção do produto.

“A área de engenharia de manutenção e operação é de natureza multidisciplinar, transcendendo os limites que separam muitas disciplinas de ciência, tecnologia e artes”, resume o professor, e ressalta: “A pesquisa básica em manutenção é parecida com os esportes radicais, se levarmos em conta o grau de incerteza e o nível de risco envolvidos na geração de novos conhecimentos.”

Diego Galar realizará o mesmo Diálogo na VALE em Ouro Preto, Minas Gerais no dia 9 de novembro. O diálogo será dirigido especialmente aos pesquisadores da VALE e representa uma oportunidade para colaboração entre a Vale e a Lulea University of Technology.