Workshop em aeronáutica e defesa estabelece prioridades em inovação para a parceria Brasil-Suécia

Organizado pelo Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) e pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o encontrou ratificou a intenção dos dois países de construírem uma agenda de longo prazo em aeronáutica e defesa, além de apontar perspectivas  para outras áreas.

O vice-ministro da Defesa da Suécia, Jan Salestrand, esteve presente no Workshop e afirmou que a Suécia está orgulhosa de sua parceria com o Brasil, hoje uma economia emergente, e que seu país está comprometido com a inovação. “Gostaria de enfatizar o desejo de que a parceria vá além do âmbito comercial. O Brasil tem uma tradição na indústria aeronáutica e produzir o Gripen aqui vai reforçar a posição do País no mercado aeronáutico”, afirmou Salestrand. Ele se referia aos caças adquiridos pela Força Aérea Brasileira da empresa sueca SAAB, em 2014, e cujo contrato de compra prevê a transferência de tecnologia de produção do país escandinavo para o Brasil.

O diretor de Futuros Negócios da SAAB, Lars Sjostrom, enfatizou que há uma grande confluência entre as oportunidades oferecidas via cooperação entre os países e as possibilidades de seleção de bons projetos. “Ambos os países estão tentando criar uma agenda, e há um grupo de alto nível com a missão de estabelecer áreas e linhas para a cooperação. Isso inclui, entre outras coisas, olhar para as demais áreas que podem se beneficiar das tecnologias desenvolvidas para o setor aeronáutico e ampliar o escopo de plataformas neutras de inovação, como o CISB”, pontuou Sjostorm.

Para Petter Krus, primeiro professor a participar doprograma Chair for Swedish Aeronautical Professor in Brazil (iniciativa da plataforma sueca INNOVAIR para fortalecer o intercâmbio de inovação e de tecnologias avançadas em aeronáutica), trata-se de promover a cooperação para a próxima geração. “O que está acontecendo hoje é apenas a ponta do iceberg. A colaboração deverá gerar um spillover grande em outras áreas, tanto lá na Suécia quanto aqui”, reforça.

A assinatura, na abertura do evento, de Memorando de Entendimento com o ITA – pela Chalmers University of Technology e pela Luleå University of Technology – deverá incentivar a concepção de futuros projetos conjuntos e o desenvolvimento dos já iniciados.

Diversos grupos temáticos foram montados para compartilhar experiências e mapear o suporte necessário para a execução dos 26 projetos em pré-estudo. “Este workshop é resultado do primeiro encontro, realizado em novembro passado, quando surgiram várias ideias de projetos colaborativos. Desde então, foram realizadas diversas missões internacionais para a estruturação dos projetos desenhados naquela ocasião”, conta Alessandra Holmo, Managing Director do CISB. “Agora, o próximo passo será finalizar a estruturação dos projetos, e buscar recursos para executá-los.”

Alessandra Holmo ressalta que a construção desta agenda está indo muito além do caça Gripen. “Um dos projetos em estudo irá possibilitar o desenvolvimento de um caça, em subescala, para testar novos conceitos de aviões de combate”, exemplifica. Os projetos deverão ser executados seguindo um modelo de cooperação, baseado no conceito  de hélice tripla, que envolve a indústria, a academia e o governo de ambos os países. “A inovação, além do esforço da hélice tripla, deve ser guiada por desafios, pelas necessidades da indústria, e é isso o que estamos buscando. A partir do ambiente neutro, estamos fomentando a colaboração para estabelecer uma agenda de cooperação entre Brasil e Suécia em aeronáutica para depois partilhar essa experiência com as outras áreas do CISB e expandir a cooperação”, finaliza.