Colaboração e desenvolvimentos colocados em prática

Projetos duradouros e sustentáveis costumam ter uma característica em comum: surgem a partir de uma base sólida e, somente quando há a certeza quanto aos caminhos a serem seguidos, começam a expandir. Foi assim que o pré-projeto PreLafloDeS culminou no LaFloDeS. O pré-estudo fez parte do NFFP6, como é conhecido o Programa Nacional de Pesquisa em Engenharia Aeronáutica, gerenciado pela agência de inovação da Suécia, a VINNOVA, e tinha como foco aprofundar o conhecimento do uso de controle ativo de fluxo para melhorar a qualidade de fluxo laminar em asas.

Os projetos foram realizados em colaboração entre Brasil e Suécia. Do lado sueco, estavam o KTH (Instituto Real de Tecnologia), a Universidade Linköping (LiU) e a empresa Saab. E no Brasil, participaram a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), e o CISB que atuou como facilitador e unificador de todo o processo.

Sobre o projeto
O PreLafloDeS foi um projeto do tipo TRL (Technology Readiness Level) baixo, o que significa que foi criado para medir previamente o nível de adequação da tecnologia que seria desenvolvida a seguir. O professor Ardeshir Hanifi do KTH, destaca que essa etapa do projeto, além de estabelecer parâmetros técnicos, foi muito importante para entender o processo de criar e executar projetos colaborativos entre Brasil e Suécia, simplificando propostas futuras do mesmo gênero.

“Ao final do PreLaFloDeS, nós havíamos alcançado todos os nossos objetivos e um documento foi assinado entre todas as partes. Nós identificamos os problemas que eram de interesse comum entre a Indústria e a Academia e criamos um plano de pesquisa que incluía questões teóricas, simulações matemáticas e trabalho experimental”, explica o professor Hanifi.

Com a primeira etapa concluída, em um projeto que foi executado entre 2016 e 2018, foi possível dar início ao LaFloDeS. Esta nova fase pretende investigar questões relativas ao design e fabricação de asas e outros componentes relevantes com baixa resistência aerodinâmica para aeronaves. O professor Hanifi detalha: “Dentro desse projeto, nós pesquisamos como a qualidade das superfícies afetam as asas. É importante que tenhamos estimativas acuradas, especialmente das transições entre um fluxo laminar ou turbulento”.

O LaFloDeS está em andamento desde novembro 2019 e já apresentou resultados iniciais positivos para todos os envolvidos. Este processo de colaboração se mostrou funcional e eficiente, sendo capaz de fortalecer a competitividade da indústria aeronáutica tanto no Brasil quando na Suécia.