Women in Science, Technology & Innovation - Entrevista com Dra. Linnea Selegard

Conte-nos sobre a sua experiência e atividades profissionais na LiU e Saab AB.

Linnea: Tenho doutorado em Física de Superfícies Moleculares e Nanociência pela Universidade Linköping. Após meu doutorado, passei um ano em uma pequena empresa focada no desenvolvimento de LEDs planares. Comecei na Saab no final de 2014 como engenheira de tratamento de superfícies, onde meu foco era a proteção contra a corrosão.
Em 2017, meu foco passou a ser os nanomateriais e como eles podem fornece novas funções pra aeronáutica.
Atualmente, estou liderando um grupo focado em pesquisa de materiais e fabricação avançada. Estamos focados em encontrar novos materiais compósitos, técnicas de integração e fabricação aditiva.
Meu foco principal de pesquisa é em materiais multifuncionais, com foco especial em nanomateriais. No meio período, sou Professora Sênior Adjunta na Universidade de Linköping, onde dou aulas e supervisiono estudantes de doutorado do mesmo grupo de pesquisa em que fiz o meu.

No decorrer de sua carreira, você se deparou com desafios que acredita terem surgido devido ao fato de ser mulher?

Linnea: Geralmente não enfrento desafios, mas a área científica em que estou atuando é dominada por homens e algumas vezes isso fica claro.
Uma situação que geralmente me deparo em conferências e eventos, por exemplo, é que as pessoas focam mais no fato de eu ser mulher do que em meus conhecimentos e expertise.
Outra coisa que já percebi, mas que depende da pessoa, é que como mulher você geralmente é mais quieta e mais cautelosa que seus colegas do sexo masculino e, às vezes, pode ser difícil ser ouvida em um grupo.
Para superar essas situações, eu normalmente não presto muita atenção e tento mudar o foco para as discussões técnicas. Além disso, lembro-me de sair da minha zona de conforto e me certificar de que minha voz seja ouvida.

A Suécia é um país de referência no que diz respeito à igualdade de gênero. Você vê isso na sua área de especialização?

Linnea: A Suécia é com certeza um país de referência no que diz respeito à igualdade de gênero; contudo, ainda temos um longo caminho a percorrer antes de ser totalmente igualitário. Muitas mulheres jovens estudam em universidades técnicas, no entanto, ainda há pouquíssimas mulheres em níveis e posições acadêmicas mais altas.
Isso também acontece na indústria, onde há poucas mulheres nessa área. No entanto, existem metas estabelecidas em que os parceiros do setor visam ter um número determinado de mulheres em posições de liderança.

Com base na sua experiência, como você acredita que novas oportunidades podem ser dadas às mulheres na Suécia e no Brasil?

Linnea: Esforço-me bastante para atrair jovens pesquisadoras e engenheiras, como mestrandas e doutorandas.
Eu acho importante que as mulheres que trabalham em áreas técnicas estejam visíveis, a fim de atrair mais mulheres.

Como você tem trabalhado com o Brasil?

Linnea: Gerenciei projetos conjuntos entre a Suécia e o Brasil na área de novos materiais para aeronáutica. Estivemos principalmente em colaboração com a UFABC, mas também com a ITA, através da cátedra do Prof Ragnar Larsson pelo programa Swedish Endowed Professor Chair. Em um projeto já finalizado, focamos o grafeno como sendo um aditivo em compósitos à base de epóxi para fornecer reforço elétrico e mecânico. Combinamos estudos experimentais com simulações e conseguimos mostrar que as propriedades mecânicas e a condutividade elétrica foram claramente melhoradas, dando uma resistência aprimorada contra danos causados por raios. Em outro projeto que segue em andamento, estamos estudando o grafeno como um aditivo em termoplásticos para ser usado como material de impressão 3D.