Modelo de sucesso para desenvolver a cooperação Brasil-Suécia

O ano de 2018 marca o fim do ciclo dos trabalhos do primeiro professor sueco a chegar ao Brasil pelo programa de cátedras do ITA; outros três acadêmicos seguem em atividade estreitando laços entre pesquisadores dos dois países

Chegando ao seu quarto ano, o programa Swedish Endowed Professor Chair at ITA in the Honor of Peter Wallenberg Sr. vê o fechamento de uma importante etapa. Petter Krus, o primeiro dos professores suecos a ocupar uma das quatro cátedras abertas no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), está finalizando este seu primeiro grande ciclo do Brasil em dezembro. Apesar de revelar que ainda há muito a se fazer, o pesquisador deixa para trás grandes avanços no âmbito da colaboração entre os dois países dentro do setor aeronáutico (veja mais na entrevista concedida a esta newsletter).

O trabalho de aproximação entre os dois países continua com os demais professores. Dan Henningson, Ragnar Larsson e Tomas Grönstedt seguem realizando constantes viagens ao Brasil a fim de orientar pesquisadores em seus trabalhos, abordando vários aspectos dentro do segmento aeronáutico. Paralelamente, o CISB, que vem atuando como grande facilitador entre o ITA e as instituições suecas, pretende alçar voos mais altos por meio de divulgação dos resultados e articulação do programa a longo prazo de forma sustentável.

“Este modelo de sucesso implementado em aeronáutica tem gerado muito frutos para a cooperação e pode ser transferido para outras áreas, como life science, mining, smart cities,etc com apenas pequenas adaptações”, diz Alessandra Holmo, Managing Director do CISB. A ideia é seguir a mesma estratégia vencedora de trazer professores suecos com perfis variados, marcados pelo espírito desbravador e por incontestáveis competências técnicas em várias áreas. “Os professores que já estão atuando no Brasil estabeleceram todo um processo que pode perfeitamente ser ampliado”, afirma Alessandra.

O discurso da Managing Director do CISB encontra ressonância nas palavras de Catharina Zajcev, do Ministério do Empreendedorismo e Inovação na Suécia. “Não há razão para que esse modelo não mostre ser tão bem-sucedido em outros setores. Escolher áreas de pesquisa e desenvolvimento com partes interessadas e motivadas em ambos os países poderia acelerar a cooperação bilateral”, diz.

Atualmente, a Suécia ocupa o posto de 3ª nação mais inovadora do mundo, segundo o Global Innovation Index. “Uma vez que ambos os países possuam conhecimentos avançados em aeronáutica, os resultados deste e de programas similares podem ser benéficos não apenas dentro da área de pesquisa, mas também para a produção e para o pensamento inovador”, diz Catharina.

Ela lembra ainda que o país escandinavo também tem muito a ganhar com a cooperação bilateral, mesmo sendo aclamado mundialmente por seu modelo de inovação. “A Suécia também precisa aprender com parceiros como o Brasil para manter essa posição. Manter a cocriação competitiva é a chave para nos tornarmos atores globais mais fortes. Eu vejo pesquisa e desenvolvimento (P&D) e mobilidade contínua como pontos importantes”, ressalta.