Entrevista Dan Hanningson, Royal Institute of Technology (KTH)

Você trabalha com pesquisadores brasileiros no ITA há quase dois anos. Quais são as primeiras impressões deles? Quais foram as principais dificuldades para iniciar um trabalho acadêmico em outro país?

Os professores brasileiros com quem trabalho no ITA são extremamente competentes e muito fáceis de interagir. Eles tornaram o processo de iniciar a colaboração excepcionalmente suave. Eu fiz oito visitas ao Brasil nos últimos quatro anos, no início para identificar com quem trabalhar e, depois que a cátedra começou, [passei a realizar] visitas mais organizadas para buscar projetos comuns. O processo administrativo nos dois países levou algum tempo, mas com a ajuda do CISB, que sempre foi muito útil e flexível, não houve grandes dificuldades.

Quais você considera suas principais conquistas até agora?

A principal conquista até agora é o fato de termos vários alunos de pós-graduação no ITA e no KTH que estão trabalhando em conjunto em projetos comuns, que lidam com controle de fluxo laminar e características de fluxos de camada limite turbulentas. Vários estudantes e professores da Suécia visitaram o ITA e vice-versa, e agora já aparecem várias publicações conjuntas. Uma interação particularmente interessante são os experimentos em andamento de controle de fluxo laminar de uma asa fabricada pela Saab AB, que foram primeiramente estudados em um túnel de vento no KTH e agora foram transportados para o Brasil onde algoritmos avançados de controle de fluxo serão usados ​​em conjunto com sensores e atuadores para manter o fluxo laminar.

Quando você veio para o Brasil, o controle de fluxo laminar ainda não havia recebido muita atenção dos pesquisadores brasileiros. Na sua opinião, como sua presença contribuiu para desenvolver essa área? O seu trabalho nesta área é bem sucedido?

Nos baseamos em vários anos de experiência no uso de métodos teóricos de controle para controle ativo de perturbações nos fluxos da camada limite e iniciamos um trabalho colaborativo sobre como usar esses métodos para controlar distúrbios em camadas limite sujeitas a turbulência de fluxo livre. Os pesquisadores do ITA já haviam usado métodos diferentes e nossos trabalhos eram verdadeiramente complementares, complementando uns aos outros enquanto combinávamos as competências. Usando algumas das abordagens comuns desenvolvidas, fomos capazes de resolver problemas que teriam sido muito mais difíceis por conta própria.

Pesquisadores brasileiros planejam estabelecer um grupo de pesquisa conjunto baseado no SARC. Na sua opinião, como o centro está contribuindo para a cooperação de pesquisadores aeronáuticos na Suécia?

O centro do SARC (www.sarc.center) é uma rede de pesquisadores aeronáuticos na Suécia, e as atividades do SARC contribuem para a colaboração em pesquisa, tanto em termos de oportunidades para pesquisadores se reunirem como para estudantes de graduação passarem tempo juntos durante cursos regulares em escolas de verão. O SARC também está envolvido em um trabalho com o objetivo de aumentar a conscientização sobre as necessidades dos pesquisadores de aeronáutica nas agências de pesquisa do governo. Um centro semelhante no Brasil também seria muito positivo para os pesquisadores brasileiros e, do ponto de vista do SARC, ficaríamos muito felizes em fazer qualquer contribuição para realizar tal centro.

Quais são seus principais desafios e planos para os próximos dois anos de trabalho no Brasil?

Finalizar os experimentos e verificar experimentalmente os métodos de controle para os casos mais complicados de camadas limite sob turbulência de fluxo livre. Garantir financiamento futuro para a colaboração também é muito importante.