Colaboração tecnológica conjunta

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A aplicação de sensores para mensurar vibrações anômalas nos mais diversos meios é uma das tendências tecnológicas atuais. O motivo está diretamente relacionado à prevenção de acidentes em estruturas em geral. Desde pontes até aviões, passando por oleodutos ou maquinário industrial, a detecção de eventuais falhas pode identificar pequenos problemas que reduzem a produtividade do equipamento até prevenir acidentes graves. Não é à toa que o Research Institutes of Sweden (RISE) abriu recentemente uma área de negócios focada em sensores de fibra óptica distribuídos, que tem na equipe a brasileira Carolina Franciscangelis.

A pesquisadora explica que o uso da fibra óptica vem ganhando espaço principalmente por ser muito mais fácil de ser embutida nas mais diferentes estruturas sem provocar danos. Outro fator que vem chamando a atenção do mercado é a alta resistência do material mesmo quando aplicado em ambientes nocivos, como os que envolvem alta temperatura ou produtos corrosivos, por exemplo. A empolgação é tanta que a própria Saab AB está contribuindo nessas pesquisas vislumbrando a possibilidade de instalar os sensores em suas aeronaves.

A chegada de Carolina ao RISE ocorreu por meio de uma chamada CNPq-CISB-Saab em 2015 e que lhe permitiu realizar na instituição sueca parte de seu doutorado sanduíche iniciado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na época, ela trabalhava também no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), uma entidade que atua desde 1976 no ramo de telecomunicações, mas que foi incorporando novos negócios ao seu portfólio desde a sua privatização, em 1998, como software para bancos, setor elétrico, entre outros.

“A Carolina é uma pesquisadora muito boa. Teve excelente desempenho no mestrado”, elogia João Batista Rosolem, da Gerência de Desenvolvimento de Dispositivos e Sensores do CPqD. Para ele, a ida da engenheira fortaleceu o vínculo com o RISE.

“O foco do meu mestrado era em monitoração óptica enquanto no CPqD eu trabalhava na área de transmissão. Isso possibilitou conhecimento em duas áreas que se complementam bastante, já que muitos equipamentos têm históricos nas telecomunicações”, explica. Depois de finalizar seu doutorado, em 2017, Carolina voltou ao RISE no ano seguinte, desta vez como contratada. “Fizemos o primeiro sensor distribuído do RISE”, comemora.

Rosolem projeta a manutenção do vínculo forte entre as duas instituições, inclusive com a adição de novos capítulos nos próximos anos. Entre os projetos esperados está a abertura de possíveis visitas entre pesquisadores das duas instituições e a publicação de artigos conjuntos.